quinta-feira, 24 de março de 2011

Veias

Não vire à esquerda
Não, cuidado. Eu disse pra não pegar essa rua.
Não tem como dar ré. Não tem. Agora siga em frente. Mas com cuidado, por favor.
Pode ir reto.
Mais.
Mais.
Espera, vai com calma.
Pronto, pode continuar.
Agora vire à direita pra sair desse caos.
Mas você quer continuar reto? Sabe que isso vai dar em confusão, não sabe?
Ok, saiba que agora não tem volta.
Ou você estaciona... ou vai bater.

Bateu.

Pedro Henrique Ribeiro

quarta-feira, 9 de março de 2011

Pode entrar

Nossa, olá. Boa noite. Já achei que você não vinha mais. Tava com tanta saudade sua. Entre, preparei alguma coisa pra comermos. E aí, como foi o seu dia? Eu estava aqui pensando, se você não tiver nada pra fazer no sábado, podemos ir ao cinema. Faz tempo que não fazemos isso. Ah, então tá. Marcamos outro dia. Você faz falta na minha vida, sabia? Sabia?

Eu tava aqui vendo umas fotos. Nossa, como o tempo passou. Quando te conheci você tava tão diferente. Você emagreceu muito. Tá cada dia mais bonito. Sabia?

Vamos pro sofá, aluguei um filme pra vermos juntos. Não, é um romance. Eu sei que você gosta de filmes de terror, mas o filme “Love and other drugs” é tão lindo. Achei que gostaria de assistir comigo. Tudo bem, eu trouxe “O último exorcismo" também.

Não, eu vou ficar em casa essa semana toda, consegui uma folga do serviço. Por quê? Ah tá. Nossa, que agonia desse filme. Gente do céu, que menina estranha. Posso te abraçar? Obrigado. Eu sei que por te abraçar o filme não ficará menos assustador, mas você me conforta. Seu abraço tem um poder incrível sobre mim. Você tem um poder incrível. Sabia?

Mas já? O filme nem acabou. Achei que amanhã fosse a sua folga. Não, tudo bem. Marcamos outra coisa qualquer dia desses. Se você quiser, é claro. Você quer?

Pedro Henrique Ribeiro

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Devaneando - primeira edição


Este é o meu primeiro trabalho de edição, diagramação, produção... As fotos que são os planos de fundo das páginas foram tiradas e editadas por mim ( *_* ). Esta revista online é o meu trabalho final para a matéria de Comunicação e Novas Tecnologias.É uma revista diferente. Você pode escolher qual página olhar. É só clicar.

Coloquei textos que são fundamentais. Aqueles que mais me marcaram. Ou seja, é um trabalho que mescla com as coisas que eu gosto. Ou pelo menos uma parte delas. =)

Espero que gostem, pois é um orgulhinho meu essa modesta revista.

(clique na página para ampliar)









=)

Pedro Henrique Ribeiro

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nós




Caramba, o excesso agora é algo ruim? "Você pecou pelo excesso". "O problema tá no excesso". Frases extremente idiotas.
Eu me apaixonei por você. Me apaixonei muito por você e excessivamente tarde. E foi maravilhoso isso ocorrer de tal forma. Nem sei o que você pensa sobre nós. Se é que ainda pensa num "nós", se passou a me ver como amigo de buteco, ou se não sirvo nem pra isso mais. O que me importa é que esse rebelde sentimento tardio é tão intenso que me fez perceber o quanto é real. Se não houvesse o excesso talvez eu nunca perceberia o quanto posso alcançar. Qual o tamanho e sentido do que sinto. E provavelmente não está nem próximo do tanto que posso te amar.
E já é o suficiente para me deixar excessivamente feliz, por perceber que sou capaz. Para um coração frio qualquer calor produz maravilhosas e irracionais sensações. Preciso falar dessa chama que agora arde em mim?
Ficar por horas te identificando em cada rosto, em cada música. Ficar por horas te procurando e não te achar entre a multidão. Achei apenas a minha dor. Uma dor excessiva de saudade e de vontade. A vontade de logo te encontrar e finalmente te abraçar, sem falar nada, sem olhar pra nada. Sem ouvir nada. Apenas me embriagar com teu cheiro e me aquecer com teu toque que há tanto desejo. Foi real, mas não aconteceu. Você não surgiu para me abraçar. Eu tinha escolhido fazer a curva. Infelizmente eu me lembro.
E tudo só me fez levar a uma excessiva tristeza. Te quero tanto. Nem eu sou capaz de compreender o que está acontecendo. Mas é triste perceber que te perdi. É triste saber que a culpa é minha. Mesmo que tenha durado um museu fechado, um vale não usado, um filme errado e conversas inacabadas, irá durar para sempre. Não é preciso estar junto para tudo ser real. E mais real do que tudo o que eu sinto?
A falta de excesso me faz tão mal. Finalmente te encontro e nenhum toque, nenhuma expressão, nenhum gesto, nenhum olhar, nenhum sorriso, nenhum oi. Nem mesmo expressões exageradas de ódio. Prefiro o excesso à indiferença. Prefiro você comigo. Preciso de você comigo.
E o excesso não chega a ser ruim. Por ele existir eu sonho, desejo, imagino. E tudo isso torna real nós dois. Você tão belo, tão lindo, tão sorridente, tão necessitado de remédios. Tão meu. Tão seu.
Tão nós.


Pedro Henrique Ribeiro